quarta-feira, 31 de julho de 2013

‘O espertinho e a farsante’



FRED CRUX
Disse Dilma pra imprensa
que “Lula nunca saiu”…
é coisa de quem não pensa
ou que a verdade não viu
por certo ela está achando
que já esteve mandando
nos destinos do Brasil
Presidenta “pau-mandado”,
essa mulher obscura,
poste torto e apagado,
ganhou sua sinecura
tomou conta da cadeira,
fez um monte de besteira,
o seu caso não tem cura
O criador da maluca
muito pior do que ela
lhe armou uma arapuca
e caiu na esparrela
agora destrambelhada
perdida e inconformada
começa a contar balela
Mas Lula prepara o bote
porque é cobra criada
que sabe comer caçote
e vive de presa armada
Falastrão e mentiroso
o envolvente raposo
deixou a dama enrascada
Assim, confirmada a farsa
pela própria criatura
ela se disse comparsa
admite com candura
aceitou a palhaçada
e se sentirá honrada
se morrer nessa fritura
Já vão dez anos e meio
de mentira e enganação
o Brasil perdeu o freio
sucumbiu à corrupção
Está com a crista baixa
não tem mais dinheiro em caixa
vai perder da inflação
Mas o povo está de olho
não é bobo e só aguarda
pôs sua barba de molho
azeitou sua espingarda
porque ladrão de galinha
que anda fora de linha
apanha na retaguarda
Porque lugar de ladrão
é dentro d’uma boa cela
pra pagar sua ambição
de ser o Deus na capela,
ou no harém, um Sultão
mas este é um beberrão
um bobão pé-de-chinela
A história é implacável
com quem brinca com a verdade
o tempo é inexpugnável
e cobra caro a maldade,
a atitude mesquinha
dos que saíram da linha
por excesso de vaidade !

terça-feira, 23 de julho de 2013

‘Verdade pela metade escamoteia mentira por inteiro’

Mauro Pereira:

MAURO PEREIRA
Criticar essa Comissão, presumidamente instituída para resgatar a verdade sobre o período dos governo militares, é perigoso: quem o faz é imediatamente rotulado de direitista, reacionário, filhote da ditadura e outras expressões menos amistosas, algumas impublicáveis. Mas a ira dos revisores do fim do mundo pouco me incomoda. Se há verdade a ser revelada, que seja em sua plenitude. Esta é também a vontade de parte significativa da sociedade brasileira.
Verdade pela metade pode prestar-se à tarefa de escamotear mentira por inteiro.
Sempre esteve próxima de descambar para a irracionalidade a determinação da secretária Maria do Rosário em querer abrir feridas que ainda não foram cicatrizadas. Os fatos acontecidos no período da ditadura, envolvendo militares e guerrilheiros, foram sepultados pela Lei da Anistia e o bom senso sinaliza que eles pertencem ao passado e lá devem continuar. Mais do que exacerbar ódios acumulados, a brutalidade daqueles tempos movidos pela insanidade nos oferece a cada dia a oportunidade extraordinária de superarmos o passado que nos envergonha e estabelecermos as bases do futuro que aspiramos e reafirmarmos diariamente nosso comprometimento com as liberdades individuais.
São indisfarçáveis os sinais de que muitos envolvidos nessa aventura de viés revanchista buscam eternizar-se como revisores dos anos de chumbo. Se os comissionados realmente pretendem reconciliar-se com o passado, que pugnem, então, pela revogação da Lei da Anistia e pratiquem o exercício da verdade ampla, geral e irrestrita, arrastando para as barras dos tribunais todos os envolvidos. Os crimes praticados pelos agentes da ditadura não podem servir de subterfúgio para justificar os crimes perpetrados pela guerrilha. Ambos os lados trucidaram civis inocentes. A bala de farda e coturno foi tão covarde e devastadora quanto a bala de boina e charuto.
Qual verdade essa comissão persegue? Com certeza não é aquela que revela a sanha sanguinária e assassina de esquerdopatas do calibre dos camaradas inclementes, por exemplo, que em nome da causa não se esquivaram de assassinar sumariamente os próprios companheiros de luta. A esses (salvo as exceções que a regra impõe), por acaso a verdade teria sido restabelecida quando o governo lhes pagou o soldo milionário traduzido em indenizações que, se fundeadas na legalidade, afundam na imoralidade?
A nobreza ensejada vulgariza-se no codinome “Bolsa-Ditadura” que a identifica e dissipa-se ante o dinheiro recebido, maculado pela miséria que flagela o dia-a-dia de grande parte da população. “Quer dizer que aquilo não era ideologia, era investimento?”, perguntou Millôr Fernandes. Ainda na esteira da incerteza, cabe outra indagação: se a guerrilha tivesse apeado os militares do poder, qual destino seria dado a figuras proeminentes da época como, por exemplo, José Sarney, Paulo Maluf e Delfin Netto? Presumo que não estariam hoje a prestar serviços ao governo petista.
Muitos milhões de reais têm sido queimados nessa farra revisionista. Se a secretária Maria do Rosário está realmente decidida a fazer justiça, que a faça agora denunciando a realidade atroz que ainda flagela incontáveis brasileiros, e que o governo insiste em capitalizar eleitoralmente. Maria do Rosário aplicaria melhor seu tempo defendendo os direitos dos aposentados, dos sem-justiça, dos sem-moradia, dos sem-saúde, dos sem-educação, dos sem-segurança, dos sem-comida, dos sem-água potável, dos sem-futuro. Ou eles não são humanos?
Enfim, entre militar fardado e civil ávido pelo exercício do poder devidamente fardado, eu fico com o Brasil livre. De ambos.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

O artigo de Vargas Llosa avisa que Mandela não tem nada a ver com lulas e dilmas

22/07/2013
 às 22:08 \ Direto ao Ponto


O “Elogio de Mandela”, assinado por Mario Vargas Llosa, condensa a deslumbrante trajetória de um dos maiores estadistas da história em apenas 13 parágrafos. No sétimo, reproduzido a seguir, resume o que foi provavelmente a etapa mais fascinante da biografia de Nelson Mandela:
Seria preciso recorrer à Bíblia, àquelas histórias exemplares do catecismo que nos contavam quando éramos crianças, para tentar entender o poder de convicção, a paciência, a vontade inquebrantável e o heroísmo que Nelson Mandela deve ter demonstrado durante todos aqueles anos para persuadir, primeiramente seus próprios companheiros de Robben Island, depois seus correligionários do Congresso Nacional Africano e, por último, os próprios governantes e a minoria branca, de que não era impossível que a razão substituísse o medo e o preconceito, que uma transição sem violência era igualmente factível e ela assentaria as bases de uma convivência humana em lugar do sistema cruel e discriminatório imposto à África do Sul por séculos. Creio que Nelson Mandela é ainda mais digno de reconhecimento por esse trabalho extremamente lento, hercúleo, interminável, graças ao qual suas ideias e convicções foram contagiando os seus compatriotas como um todo, do que pelos extraordinários serviços que prestaria depois, já no governo, aos seus concidadãos e à cultura democrática.
Assim é Nelson Mandela aos olhos do extraordinário escritor e democrata. Visto por Lula, o gigante que impediu a sangrenta dissolução da África do Sul  tem semelhanças com Dilma Rousseff. Essa miopia obscena se manifestou pela primeira vez em maio de 2010, quando o PT transformou o horário do partido na TV num comício eletrônico. O duplo insulto à inteligência alheia inspirou o post abaixo transcrito:
O presidente Lula precisou de duas frases e uma comparação infamante para afrontar a Justiça Eleitoral, escancarar a própria indigência intelectual e assassinar a verdade: “Uma parte da história da Dilma me lembra muito a do Mandela”, disse no programa ilegal do PT. “Uma vez o Mandela me disse que só foi para o confronto quando não deram outra saída para ele”. O estupro da História foi chancelado pela candidata que mente como quem respira: “Eu lutei, sim. Pela liberdade, pela democracia”.
A comparação é mais que uma impostura atrevida, é mais que outro estelionato eleitoreiro. É um insulto ao homem que redesenhou o destino da África do Sul. Nelson Mandela lutou pelo fim do apartheid, pela restauração da liberdade e pelo nascimento do regime democrático. Dilma Rousseff serviu a grupos radicais que queriam trocar a ditadura militar pela ditadura comunista. Ele aceitou o confronto depois de propor todas as soluções pacíficas possíveis. Ela aderiu à luta armada em 1967, um ano antes da decretação do AI-5.
Mandela protagonizou combates reais. Dilma não passou de figurante em assaltos a bancos e cofres particulares. Ele ficou preso 27 anos por liderar a imensa maioria negra. Ela ficou três anos na cadeia por obedecer a extremistas ignorados pelo povo. Mandela venceu. Dilma perdeu. A ditadura militar foi derrotada pela resistência democrática de que jamais participou.
Mandela chegou ao poder pela vontade popular. Dilma, que nunca disputou nem eleição de síndico, é fruto da vontade de Lula. Ele negociou com os carcereiros brancos a extinção do apartheid. Ela despreza os democratas que negociaram a anistia de que foi beneficiária e declara guerra a todos os oposicionistas. Mandela é um grande orador, um líder vocacional e um político sedutor. Dilma não diz coisa com coisa, faz tudo o que manda o mestre e tem a simpatia de um poste.
Nelson Mandela é um estadista. Dilma Rousseff é uma farsa.
No penúltimo parágrafo do artigo, Vargas Llosa lembra que Nelson Mandela não foi afetado por “esse tipo de devoção popular mitológica que costuma atordoar quem a recebe e fazer dele – como no caso de Hitler, Stalin, Mao, Fidel Castro – um demagogo e um tirano”. O gênio que acaba de completar 95 anos não se deixou envaidecer: “Ele continuou sendo o homem simples, austero e honesto que sempre foi e, para surpresa do mundo todo, negou-se a permanecer no poder, como seus compatriotas pediam. Aposentou-se e foi passar os seus últimos anos na aldeia indígena de onde se originara sua família”.
Nada a ver com políticos menores. Nada a ver com lulas e dilmas.
Por : Augusto Nunes

terça-feira, 9 de julho de 2013

Batistinha o " X " da questão.


 Batistão era amigo dos milicos. Deram-lhe, por vários anos, a presidência da maior mineradora do país ou, quiçá, do próprio planeta. No pedestal desse cargo, Batistão tinha acesso às informações sigilosas e valiosas sobre as pesquisas minerais, não só da mineradora, como também de todo o país. Naquele tempo, pesquisa mineral era questão de segurança nacional e monopólio do Estado. Não havia leilão de áreas para prospecção de risco, como hoje. Tudo pertencia à mineradora ou ao monopólio estatal do petróleo. Mas ele era um cara probo e não beneficiou, a si próprio, com essas ricas descobertas minerais. Apenas comentou a existência de muitas delas (as mais promissoras), nos almoços em família. O filho dele, o Batistinha, esse sim um salafrário, ouviu as despretensiosas indicações do pai, correu ao DNPM e registrou as melhores jazidas em seu nome, antes que a mineradora (dona da descoberta) o fizesse. Bem, essa deve ter sido a historinha mal engendrada que ele contou aos milicos incorruptíveis que jamais promoveram uma investigação contra ele, mantendo-o na presidência da mineradora, até o crepúsculo do período de chumbo. E, assim, Batistinha ficou rico do nada. Não tinha quase nada de concreto que o fizesse um bilionário, mas era portador de muitas esperanças minerais. Era só ir lá e pegar.
               Nos anos que se seguiram, Batistinha foi evoluindo lentamente, na medida em que foi concretizando as esperanças minerais que detinha. Nesse período, notabilizou-se muito mais pelas interveniências sociais de sua existência, do que pelas empresariais. Trocou uma rica e tradicional socialite, quase no pé do altar, por uma putona gostosa e midiática que lhe pregou vários pares de chifres na testa.
              Um dia subiu ao trono, um rei muito popular que prometia combater a corrupção que assolava o país. O maroto Batistinha não acreditou muito naquilo e se aproximou, cheio de más intenções, do rei e de seus asseclas, tornando-se o garotinho preferido do bando. Fundou várias empresas que continham um “X” na sigla, como um indicativo do multiplicar. Sempre multiplicar! Beneficiou-se de vários contratos e concessões que os novos amigos lhe deram e prosperou, no novo reino. Aí descobriram as jazidas de petróleo do pré-sal. Uma riqueza sem fim. Um verdadeiro “ouro na Lua”. Era só ir lá e pegar. O rei mandou suspender todos os leilões de concessão na área do pré-sal, para destinar aquele rico veio apenas para a empresa detentora do monopólio estatal. Mas não sem antes conceder, ao garotinho de ouro, os mais ricos e promissores lotes, no apagar das luzes e na calada da bruma da corrupção.          
              Batistinha ficou bilionário, da noite para o dia. Colocou suas ações na bolsa que atraíram incautos de todo jaez. Tomou empréstimos bilionários nos bancos de fomento do governo e impregnou o mercado de ações com as inúmeras empresas “X” que constituía. O rei popular impulsionou essa ascensão vertiginosa, vendendo o ouro dos tolos ao mercado, traduzido pelas inexpugnáveis jazidas de petróleo do pré-sal. A estatal do petróleo foi vilipendiada, com um aumento da participação do governo em seu capital, de 73 bilhões de pilas, sem que ela recebesse um tostão por isso. Só a esperança das jazidas. Era só ir lá e pegar.  
              A crise de 2008 trouxe a desgraça para muitos e oportunidades para outros, como em toda a crise. Batistinha pegou as oportunidades. Nos primeiros dias da crise, as ações de suas “X” despencaram 68%. Batistinha não se abalou. Recomprou grande parte delas, por valores insignificantes. Dez meses depois, elas voltaram ao patamar antigo e depois cresceram ainda mais, com essa história do pré-sal. Batistinha revendeu-as e se tornou conhecido internacionalmente, figurando na Forbes, como a oitava maior riqueza individual do planeta, com cerca de 35 bilhões de dólares.  Um prodígio, aquele menino.     
             Mas todo engodo um dia chega ao fim. Aquela história de “é só ir lá e pegar” não era bem assim. Não havia tecnologia para sugar petróleo, de forma economicamente viável, a 7 mil metros da superfície. As metas de extrair 20 mil barris por dia, não chegaram aos cinco mil. O mercado acordou para o embuste. A estatal também se danou, mas estatal não quebra. Ruiu o castelo de cartas das multiplicadoras “X”. As ações, antes negociadas a R$ 23,50 chegaram a R$ 0,30. O menino de ouro foi apeado da presidência das empresas, para acalmar o mercado. Sua fortuna de 35 bilhões caiu para 1,8 bilhões que ainda é muita grana. O governo disse que não perdeu quase nada com a quebra. Engraçado, né?
              O fato é que o Batistinha não aparenta desespero e nem deu um tiro no quengo. Quem se danou mesmo, além do governo que emprestou os montantes do investimento, foram os acionistas que acreditaram no milagre da multiplicação dos “X” e embarcaram nessa furada. O valor nominal das ações pode ter despencado. As perdas do Batistinha se referem apenas à parte das ações que estavam em seu poder. A integralização das ações originais, lançadas no mercado, não é exigível e foi parar no bolso desse sacana. E devem estar bem a salvo, em algum paraíso fiscal.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

‘O PT roubou!’


A multidão que ocupou o Pelourinho neste 2 de julho repetiu em coro: ‘O PT roubou!’

Quando passavam pelo Pelourinho, os participantes da manifestação que percorreu as ruas de Salvador neste 2 de julho toparam com um punhado de penetras empunhando bandeiras do PT e da CUT. A milícia de Rui Falcão bateu em retirada ao ouvir milhares de vozes indignadas repetindo em coro:  “O PT roubou!”. No vídeo, o canto dos baianos pode ser saboreado por 4:43. Para os brasileiros decentes, é pura música.

Um retrato na parede



‘Um retrato na parede’, de Ricardo Noblat

COLUNA PUBLICADA NO GLOBO DESTA SEGUNDA-FEIRA
RICARDO NOBLAT
Se você imaginava que o PT se resignaria em ser expulso das ruas pelos manifestantes que convulsionam pedaços das maiores cidades do país, sinto muito, enganou-se. Avalizada por Dilma, a ordem foi emitida pela direção do partido: lustrem as estrelas guardadas junto com antigas lembranças. Espanem a poeira das bandeiras rotas. Dispam-se dos trajes de burocratas. Todos às ruas na próxima quinta-feira.
Pouco importa que o “Dia Nacional de Luta”, que prevê passeatas e greves, tenha sido convocado pelas centrais sindicais e movimentos afins. O PT não amanhecerá menor no dia seguinte só porque pegou carona em ato alheio. De resto, é o governo que tudo financia. Até mesmo o que poderá machucá-lo um pouquinho. O peleguismo renovou-se. Mas não deixou de ser peleguismo.
Que palavras de ordem gritará o PT? O que cobrará por meio de faixas e cartazes? O governo encomendou o apoio à reforma política elaborada por uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva e submetida a um plebiscito. O PT entregará a encomenda. Por absurda, a ideia da Constituinte foi sepultada em menos de 24 horas. O plebiscito naufragou por falta de tempo para que seus efeitos incidissem sobre as eleições do próximo ano.
Dilma esperava lucrar com uma reforma que lhe garantisse melhores condições de concorrer ao segundo mandato. E que levasse o PT a emergir da eleição ainda mais forte. Casuísmo descarado, pois – não a reforma, necessária. Mas a pressa com que seria feita e a tentativa de empurrar goela abaixo do Congresso pontos da reforma destinados a agradar Dilma e o PT.
A insistência com a Constituinte e o plebiscito trai o desejo de Dilma em responsabilizar o Congresso pela reforma que ele não quer fazer. E denuncia o momento confuso e delicado que o governo atravessa. Uma pena o PT não poder dizer aqui fora o que diz quando se reúne no escurinho do cinema. Ou mesmo o que começou a dizer recentemente a Dilma. A coragem muitas vezes é movida pelo medo. E o PT receia perder o poder.
A política econômica está uma droga. A culpa não cabe apenas a Guido Mantega – aquele que Fernando Henrique chamou de “bem fraquinho” quando virou ministro da Fazenda do governo Lula. Cabe também a Dilma – aquela que Lula apresentou como melhor gestora do que ele. Maluf elegeu Celso Pitta prefeito de São Paulo pedindo para não votarem mais nele, Maluf, caso Pitta fracassasse. Pitta fracassou. Lula não foi tão longe em relação a Dilma.
Aumenta a inflação. Diminuem os investimentos. Desequilibram-se as contas públicas. Revisa-se para baixo o Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas do país. O governo carece de uma estratégia compartilhada por seus 39 ministros. Há ministros demais e competência de menos. Em larga medida, o voluntarismo de Dilma é responsável pelo mau desempenho da economia. Seu desprezo pelos políticos só lhe cria problemas.
Lula montou uma gigantesca coligação de partidos para eleger Dilma e ajudá-la a governar. Esqueceu de escalar ministros aptos a cuidarem da articulação política. Apostou suas fichas em Palocci, posto na Casa Civil para escorar Dilma. Descobriu-se que ele se tornara milionário enquanto fazia política. Acabou demitido. A coligação ameaça se esfarelar. A persistir a queda de Dilma nas pesquisas, ela será abandonada.
O PT do passado teria material de sobra para na quinta-feira ecoar a voz das ruas. O de hoje, não. É apenas uma fotografia na parede.

Qual é o título do livro que Lula vai escrever para entrar na Academia Brasileira de Letras?


Qual é o título do livro que Lula vai escrever para entrar na Academia Brasileira de Letras? A coluna selecionou 55 sugestões do timaço de comentaristas. Escolha a melhor

Exatamente 11.206 leitores participaram da enquete que elegeu o título do livro que Lula deveria escrever para conseguir uma vaga na Academia Brasileira de Letras e, sempre na esteira de Fernando Henrique Cardoso, virar imortal de fardão. Com 6.078 votos (54% do total), o vencedor foi Rose e Eu: Casais inteligentes enriquecem juntos. Seguiram-se Beber, falar e tapear (2.806 votos), Cinquenta contos do vigário (1.362), A verdadeira história do Mensalão (834) e O assalto ao trem-bala (135). Paralelamente, o timaço de comentaristas esbanjou criatividade em mais de 200 sugestões publicadas no post que apresentou a enquete. Confira a lista de 55 títulos selecionados pela coluna e escolha o seu preferido. Ou sugira outros.
50 tonéis de pinga
A mão que balança o copo
A Megera Cor de Rose
A mudinha e o falastrão
A Terra é quadrada
A Volta ao Mundo em Oito Anos
ABC do Mensalão
Ali Babá e os 40 ministros
Ali Babão e os 40 mensaleiros
Ali Mollusco e seus 40.000 ladrões
Amor nos tempos do Collor
As Viagens de Lúliver
Assalto ao Banco Central
Cem Anos Só de Ladrão
Como parar de trabalhar aos 29 anos e ficar milionário
Crime sem castigo
Curçu di aufabetisassão di adultus – Si eu aprendi, vosseis pódi tamém
Dom Casburro
Dom Corlulone
Ensaio sobre a roubalheira
Ensaio sobre a Segueira
Éramos 6 – 6mil creches, 6 mil casas, 6 mil médicos cubanos
Eu não sabia
Eu sei o que você bebeu no verão passado
Guia politicamente incorreto da honestidade
Lulice no País das Falcatruas
Meu filho é um fenômeno
Meu filho, meu tesouro
Mil e uma noites com Rose
Minhas MÉmórias
O afanador nos campos de centeio
O Amante de Lady Roseville
O Bebum de Rosemary
O bleph
O Cachaceiro Viajante
O Discurso que Errei
O Grande Golpe
O homem que não sabia de nada
O homem que sabia de menos
O incrível exército de Lula Mensaleone
O menino do MEP
O nome da Rose
O planeta dos larápios
O santo poder da bala Juquinha
O triste fim de Lulacarpo Silvaresma
O velho e o bar
O vendedor de ilusões
Pai Milionário, filho biliardário
PT Rico. País Pobre
Sarney e Eu
Sem corrupção não há solução
Só sei que nada sei
Trair e roubar é só começar
Vim, vi e sumi
Vim, vi, venci e sumi

‘O raro silêncio de Lula’, editorial do Estadão


PUBLICADO NO ESTADÃO DESTE DOMINGO

Habitualmente muito loquaz e atento a todas as oportunidades para exercitar a vanglória e malhar os adversários, Luiz Inácio Lula da Silva está mudo desde o início das manifestações de rua que há semanas tomaram conta do País. Nos últimos dias, uma oportuna viagem à África tirou-o de circulação.
Enquanto isso, multiplicam-se as evidências de que, pelo menos para parte significativa dos quadros do PT, inclusive alguns solidamente instalados no Palácio do Planalto, todos de olho em 2014, o “volta Lula”, mais do que um apelo nostálgico, é a última esperança de sobrevivência do tão acalentado projeto de perpetuação no poder.
Lula tem reafirmado que Dilma é sua candidata, portanto, a candidata do PT nas eleições presidenciais do ano que vem. De fato, pelo menos até um mês atrás tudo levava a crer que o encaminhamento natural dos acontecimentos levaria à reeleição de Dilma.
Seria muito difícil explicar politicamente a não candidatura da presidente, mesmo que para ceder o lugar ao seu mentor. A não ser, é claro, que surgisse um inquestionável motivo de força maior. E essa força maior seria a ameaça iminente à hegemonia político-eleitoral do PT.
Pois a “força maior” está nas ruas. Apesar de o marqueteiro oficial João Santana garantir que em quatro meses Dilma terá recuperado o prestígio que despencou nas últimas semanas, os petistas já colocaram as barbas de molho.
Não os tranquiliza nem o argumento de que Lula conseguiu dar a volta por cima e se reeleger, após o escândalo do mensalão, em 2005, que lhe havia custado uma forte queda nos índices de aprovação popular.
Ocorre que Dilma, ao contrário de seu criador, não tem o menor carisma. E em 2006 o País surfava na onda da estabilidade monetária, crescimento econômico e avanços sociais. Um panorama muito diferente daquele em que está hoje mergulhado em razão, entre muitas outras, da crônica incompetência do governo lulopetista.
Antes mesmo do início das manifestações populares, o “volta Lula” já estava nas ruas. Ainda em abril, antes da aprovação pelo Congresso da MP dos Portos, que Dilma Rousseff sancionou em 5 de maio, um grupo de aproximadamente 200 militantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o braço sindical do PT, marcava sua posição em ato público na Avenida Paulista, ao coro vibrante de “Volta Lula!”. Era a expressão de um sentimento que já então se percebia, embora tímido e discreto, nos círculos lulopetistas Brasil afora.
Na quarta-feira passada, em dois ambientes diferentes e em contextos distintos, duas personagens próximas de Lula vocalizaram o mesmo desejo. O cientista político André Singer, antigo porta-voz de Lula na Presidência, respondeu a uma indagação, durante debate na USP, com a afirmação de que, em consequência da queda da popularidade de Dilma, o nome de Lula, como candidato em 2014, “está colocado”. Singer fez a ressalva de que não estava em condições de afirmar se Lula está ou não disposto ou decidido a ser candidato. E, dizemos nós, muito provavelmente não está.
Por sua vez, o deputado federal Devanir Ribeiro (PT-SP), cuja devoção a Lula se consubstanciou na tentativa de propor um terceiro mandato consecutivo para o então presidente, que cumpria o segundo, foi bem mais explícito. Depois de criticar abertamente a presidente, afirmando que “o que falta no governo Dilma é gestão”, Ribeiro foi categórico: “Já está na hora de o Lula voltar”.
É claro que, mesmo a conveniente distância, Lula está perfeitamente a par das manifestações desse queremismo. Que, aliás, é muito compreensível, uma vez que, diante dos últimos acontecimentos, a companheirada vislumbra uma luz no fim do túnel e a identifica como a de uma locomotiva sem freio que ameaça atropelá-los.
Mas Lula dificilmente mete a mão em cumbuca. E não foi por outra razão que, diante do clamor da massa que perdeu a paciência com o governo, ele enfiou a viola no saco e foi cuidar de sua vida em outras paragens. Afinal, a coisa está feia. E ninguém mais do que ele é o culpado pelo que está aí.